Programa do concerto de 12 de Novembro de 2005
Pré-Ensaio Geral aberto ao Público 11 de Novembro 2005



Maestro Rinaldo Alessandrini
Rinaldo Alexandrini
Programa.
A influência de Corelli na música Europeia de Setecentos

Corelli ( 1653 – 1713)
Concerto Grosso Op. VI nº 1 em Ré maior

Largo

Allegro – Adagio

Largo

Allegro

Largo

Allegro. Fuga

Allegro



Scarlatti (1685 – 1757) - Avison (1709 – 1770)
Concerto Grosso nº 5 em Lá menor

    Largo

    Allegro

    Moderato

    Allegro



Geminiani (1687 – 1762)
Concerto Grosso XI, segundo a Op. V  de A. Corelli, em mi maior

    Preludio

    Allegro

    Adagio

    Vivace

    Gavotta



Valentini  (1681 – 1753)
 Concerto “a Quattro” Op. VII nº 11 em Lá menor

    Largo

    Allegro

    Grave

    Allegro e solo

    Presto

    Adagio

    Allegro assai

 Violinos - Mauro Lopes Ferreira, Iskrena Yordanova, Guadalupe del Moral, Bojan Cicic



Haendel  (1685 – 1759)
Concerto Grosso Op. VI nº 4

    Larghetto Affettuoso

    Allegro

    Largo e Piano

    Allegro  


Local
Centro Cultural de Belém

Hora 18h00m
Notas
 A influência de Corelli na música europeia do século XVIII.

                                                                                                                             

Em 1714, um ano após a sua morte, eram publicados, em Amesterdão, os 12 Concerti Grossi, op. 6 de Arcangelo Corelli (n. 1653, em Fusignano e m. 1713, em Roma). Não obstante a modesta dimensão da sua obra, Corelli revelou-se um compositor de enorme importância, tanto em Roma, onde exerceu grande parte da sua actividade, como no resto da Europa. A sua influência (ao nível da forma, do estilo e da técnica instrumental) e a sua reputação difundiram-se não apenas através do ensino, mas também da divulgação da sua obra que beneficiou da notável expansão da edição musical que se deu no início do século XVIII.

 

As obras que constam deste programa testemunham a influência de Corelli na música europeia do período Barroco, sobretudo no que diz respeito à afirmação e definição da forma instrumental conhecida como Concerto Grosso.

 

O Concerto Grosso é uma forma orquestral em que um grupo instrumental (ripieno ou tutti) alterna com um grupo mais pequeno (concertino: geralmente dois violinos e um violoncelo, segundo a concepção corelliana) contendo habitualmente entre quatro a seis andamentos. Na época de Corelli, encontramos duas formas distintas de concerto grosso e cujas diferenças se desvanecerão com o tempo: concerto da chiesa (mais formal, alternando andamentos lentos com andamentos rápidos) e o concerto da camera (com um certo carácter de suite, sendo introduzido por um prelúdio em tempo Allegro e incorporando frequentemente movimentos de dança). Com a excepção do Concerto Grosso, nº 11 de F. X. Geminiani, todos os concertos presentes neste programa seguem o esquema lento-rápido-lento-rápido característico dos concerti da chiesa. O Concerto Grosso, op. 6, nº 1 em Ré Maior de Corelli faz parte de um conjunto de 12 concertos que se revelaram marcantes para a definição da forma Concerto Grosso que tanto influenciará os compositores das seguintes gerações.

 

Em Roma, Domenico Scarlatti (n. 1685, em Nápoles e m. 1757, em Madrid) entrava em contacto com Corelli (e Handel), nos encontros semanais da Academiee Poetico-Musicale, promovidos pelo Cardeal Pietro Ottoboni que, juntamente com outros mecenas entusiastas da música, se revelou de extrema importância ao estimular a produção musical e promover encontros entre músicos das mais diversas proveniências. Num destes encontros, Scarlatti conhecia Thomas Roseingrave, que se tornou grande admirador da sua música e que, de regresso a Londres, publicou a primeira edição dos seus Essercizi per Gravicembalo, em 1738. Seria a partir desta obra que Charles Avison (n. 1709 e m. 1770, em Newcastle), aluno de F.X. Geminiani, extraiu o material para produzir um conjunto de 12 Concertos, em 1744 e dos quais faz parte o Concerto Grosso, nº 5 em Lá menor.

 

Francesco Xaverio Geminiani (n. 1687, em Lucca e m. 1762, em Dublin), conhecido como il furibondo, revelou abertamente toda a sua vida uma grande admiração por Corelli, seu professor em Roma. Tal como Corelli, Geminiani foi um violinista virtuoso. Em 1714, parte para Inglaterra que se havia tornado um centro musical de grande importância na Europa (em parte graças ao prestígio de Handel, que também havia estudado em Roma, com Corelli). O Concerto Grosso, nº 11 (publicado em 1726, sem número de opus) e que consta entre as obras mais populares do seu tempo, baseia-se na Sonata para Violino e Continuo, op. 5 em Mi Maior de Corelli. À semelhança do que acontecerá com Handel, a obra de Geminiani tem um forte carácter contrapontístico como forma de agradar a um público, o público londrino, profundamente admirador de Corelli. Em termos estilísticos, Geminiani elevou o nível de virtuosismo, mudou o balanço da sonoridade entre solistas e orquestra e fez um maior uso dos cromatismos na melodia e harmonia, tornando os seus concerti mais dramáticos e apaixonados ao nível da expressão.

 

Numa ligação por antinomia, Giuseppe Valentini (n. c.1680, em Florença e m. após 1759, em Paris?) foi tido no seu tempo como o maior rival de Corelli, o que ironiza com o esquecimento a que a história da música o vetou até bem recentemente. No presente programa ouviremos um concerto para quatro violinos, o Concerto “A Quattro”, op. 7, nº 11 em Lá menor, considerado por muitos a sua obra-prima. Valentini tinha como objectivo a originalidade e inovação, assumindo no seu prefácio a esta obra, a sua ambição de “criar um novo estilo”, dissociando-se de Corelli, não obstante ser possível que este último tenha mesmo sido seu professor. O op. 7 dedicado a Michelangelo Caetani, Principe de Caserta, pertence à série de 12 Concerti Grossi, escritos em 1710, em Bolonha e apresenta uma fluidez formal sem par: em cada andamento é personificado um afetto, ligando-se contudo uns aos outros e criando uma obra coerente.

 

A última obra é da autoria de George Frideric Handel (n. 1685, em Halle e m. 1759, em Londres). Compositor profícuo, Handel compôs mais de 600 obras de vários géneros. No seu percurso, trabalhou em Hamburgo, viajou por Itália durante três anos, foi maestro di cappella em Hanover, e parte em 1712 para Inglaterra, que se viria a tornar a sua segunda pátria. Em Itália, aos 22 anos, Handel compunha já obras para ofícios religiosos das catedrais romanas e para os mesmos mecenas de Corelli e D. Scarlatti. Tal como nas restantes obras deste programa, a influência de Arcangelo Corelli é notória: o próprio facto de Handel ter intitulado de “Opus 6” os seus doze concertos, remete para a homónima e determinante recolha do mestre italiano com que este concerto iniciou. Tal como Geminiani, Handel conhece bem as formas instrumentais tradicionais, acompanhando o gosto do público londrino que privilegiava os cânones tradicionais impostos por Corelli. Nesta linha, os Twelve Grand Concertos, op. 6, de 1739 (escritos em apenas um mês) podem considerar-se um marco do concerto barroco que se revela na técnica contrapontística, na criatividade melódica e harmónica, no carácter de modernidade evidente na tendência para o sinfonismo e nos surpreendentes efeitos de dinâmica.

 

Notas de Rosa Paula Rocha Pinto
Voltar